O que é Orientação

Anda-se ou corre-se de mapa na mão como se se estivesse dentro dele. A bússola não nos deixa sem Norte e o polegar segue os passos dados pelas pernas. É uma espécie de caça ao tesouro em que os "tesouros" mais não são do que pontos distribuídos ao longo do mapa, sinalizados no terreno por "balizas”.

Em Portugal, país de florestas, a orientação tem um mundo à sua espera...

 

O Percurso de Orientação

Um percurso de orientação é constituído por uma partida, uma série de pontos de controlo identificados por círculos num mapa, unidos por linhas rectas e numerados na ordem pela qual devem ser visitados e por uma meta.

Os círculos dos pontos de controlo têm como centro o objecto ou a característica de terreno que tem de ser encontrada. Existe uma sinalética que define a natureza desse objecto ou característica.

Para provar que um ponto de controlo foi visitado, no sistema tradicional, o orientista utiliza um sistema de perfuração (picotador, também conhecido por 'alicate') que se encontra junto à baliza, para "picar" o cartão de controlo. Cada alicate faz um padrão de furos diferente. Nas provas oficiais da FPO é utilizado um sistema electrónico, que consiste num pequeno “chip” que é transportado pelo atleta num dedo, que permite registar a sua passagem pelos pontos de controlo que contêm pequenas estações electrónicas de controlo.

Num percurso tradicional de orientação, terão de ser visitados todos os pontos de controlo na ordem definida sob pena de desclassificação.

O trajecto a seguir entre cada ponto de controlo não está definido, sendo decidido por cada participante. Este elemento de escolha do percurso e a capacidade de se orientar através da floresta, são a essência da orientação.

A maioria das provas de orientação utiliza partidas intervaladas para que o orientista tenha a possibilidade de realizar as suas próprias opções. Mas existem muitas outras formas, incluindo estafetas, provas de score, etc. 

 

As Disciplinas de Orientação

As diferentes formas de prática de Orientação relacionam-se com os meios de locomoção utilizados ou ainda com o meio em que se desenvolve a actividade. A Federação Internacional de Orientação (I.O.F.) reconhece e desenvolve quadros competitivos em 4 disciplinas: Orientação Pedestre, Orientação em BTT, Orientação em Ski e Trail-Orienteering (vocacionada para deficientes motores).

A Federação Portuguesa tem calendários oficiais de provas das vertentes Pedestre e BTT, para além de uma nova forma intitulada Corridas Aventura, que mistura diversas vertentes de Orientação em provas de longa duração.

 

Os Mapas

Embora seja possível praticar Orientação em praticamente todos os tipos de mapas, é muito mais interessante utilizar mapas criados exclusivamente para a Orientação. Esses mapas são precisos e detalhados e estão preparados para uma "escala humana", ou seja, o terreno e as características que aparecem no mapa são aquelas que uma pessoa, ao mover-se nessa área, observa facilmente.

Por exemplo, rochas com apenas 1 metro de altura aparecem nos mapas de Orientação.

O mapa de Orientação evoluiu conside­ravelmente ao longo dos últimos 50 anos.

Nos anos 40, realizavam-se eventos na Escandinávia onde se utilizavam mapas na escala 1:100.000 (1 cm = 1 Km), geralmente a preto e branco e sem curvas de nível para mostrar o relevo do terreno. Hoje em dia, a maioria dos eventos realizam-se em mapas a 5 cores, com curvas de nível com 5 metros de equidistância e com escalas 1:15.000 (1 cm = 150 metros) ou 1:10.000 (1 cm = 100 metros).

Muitas das características dos mapas de orientação estão relacionadas com as encontradas nos mapas militares e de outros organismos. No entanto, existe uma característica nos mapas de orientação que é específica deste desporto: as Linhas de Norte.

No exemplo mostrado na página anterior, tal como na maioria dos mapas, as Linhas de Norte aparecem a preto. Estas são linhas paralelas desenhadas do Sul Magnético para o Norte Magnético, espaçadas geralmente 500 metros (nos mapas 1:15.000) ou 250 metros (nos mapas 1:10.000).

Mas por que razão as Linhas de Norte dos mapas de Orientação, não apontam para o Norte Geográfico? Porque o ângulo entre o Norte Magnético e o Norte Geográfico (a declinação) varia bastante em diferentes partes do mundo e como os praticantes de orientação utilizam bússolas (que indicam o Norte Magnético e não o Norte Geográfico), estas linhas acabaram por se tornar uma norma de modo a evitar a existência de uma série de linhas de referência nos mapas, o que complicaria o processo de orientação.

Existe um conjunto de regras para a simbologia dos mapas (legenda) que têm como objectivo normalizar a criação de mapas em todo o mundo.

 

Legenda – A linguagem do mapa

Para que o mapa seja simples de ler e facilmente compreensível, várias cores e símbolos são utilizados.

Não é possível representar no mapa todas as características e objectos do terreno, uma vez que teria demasiados pormenores e tornar-se-ia difícil de ler. Os símbolos utilizados num mapa representam, tanto quanto é possível, as características do terreno.

Como já referimos atrás, existem muitos tipos de mapas com várias escalas e utilizando cores e símbolos diferentes.

Existem mapas desenhados para as mais variadas utilizações, desde actividades recreativas até aos mapas específicos para fins militares, meteorológicos, geológicos ou topográficos. A escala mais comum utilizada em mapas produzidos pelas organizações cartográficas é de 1:25.000.

Aqui vamos falar apenas dos mapas criados especificamente para a prática da Orientação.

Uma boa regra quando se observa um novo mapa é começar por estudar a legenda, que contém os símbolos utilizados e a sua descrição.

A simbologia existente na legenda dos mapas de Orientação, permite que qualquer pessoa, indepen­dentemente do seu país de origem, possa ler qualquer mapa. Uma vantagem destes mapas é que os símbolos, cores, escalas, espessura das linhas, etc., respeitam uma norma mundial. Esta simbologia é determinada pela Federação Internacional de Orientação (International Orienteering Federation - I.O.F.).

Outra vantagem destes mapas é que, normal­mente, estão à escala 1:10.000 ou 1:15.000. Isto significa que contêm bastantes detalhes, o que se torna bastante útil a quem os utiliza para a prática de Orientação Pedestre.

As seguintes cores são as utilizadas em mapas de Orientação:

   A CASTANHO temos tudo o que está relacionado com diferenças de altitude: cumes, ravinas, depressões, pontos de cota, etc;

    As áreas a BRANCO representam Floresta Limpa (árvores mas sem vegetação rasteira);

    AMARELO representa áreas abertas: campos abertos, clareiras, etc;

    VERDE representa áreas ou objectos relacionados com vegetação;

    A AZUL aparecem as áreas ou objectos relacionados com água;

   PRETO é a cor com utilização mais diversa e representa variados objectos e características do terreno, geralmente artificiais ou rochosos: estradas, caminhos, linhas de alta-tensão, edifícios, rochas e precipícios.

 

Sinalética

Quando se procura um ponto marcado no mapa, é por vezes necessário alguma informação mais detalhada relativamente à natureza e localização exacta do elemento onde se encontra a baliza.

 

Natureza do elemento              

 

Escarpa de terra

 

Pedra

Pedreira

 

Zona Rochosa

Muro de terra

 

Monte de pedras

Terraço

 

Lagoa, lago

Esporão

 

Charco

Reentrância

 

Buraco com água

Fosso

 

Corrente de água

Colina

 

Fosso com água

Cota

 

Zona alagadiça

Colo, passagem

 

Fonte, poço

Depressão

 

Nascente

Pequena depressão

 

Pequeno canal

Buraco

 

Clareira

Falésia

 

Vegetação densa

Afloramento rochoso

 

Limite de vegetação

 

 

Natureza do elemento                       Localização da baliza

 

Caverna

 

Lado norte

Sebe

 

Bordo sudeste

Estrada, Caminho

 

Ângulo sul (reentrante)

Carreiro

 

Ângulo sudoeste (saliente)

Aceiro

 

Ponta sul

Muro

 

Parte oeste

Cerca

 

Parte superior

Ponte

 

Parte inferior

Edifício

 

Sobre, por cima, no topo

Ruína

 

Pé sul

Linha alta tensão

 

Pé (sopé), direcção não indicada

Poste de Alta Tensão

 

Extremidade sudoeste

Árvore isolada

 

Entre, no intervalo

Tronco caído

 

Curva

Marco

 

 

Qual dos elementos

Leste

 

Inferior

Noroeste

 

No meio

Superior

 


 

Sistemas de Controlo

Para que os atletas possam provar a sua passagem nos Pontos de Controlo existe um sistema tradicional baseado num cartão de controlo e picotadores, e um sistema mais avançado baseado num sistema de controlo electrónico.

Sistema Manual – O Cartão de Controlo

Os cartões de controlo podem ter diversos formatos, mas todos incluem quadrados numerados para a picotagem nos sucessivos pontos de controlo, assim como espaços para o nome do participante, o percurso, o escalão, as horas de partida e de chegada, e o tempo de realização do percurso.

As provas de orientação tradicionais são corridas ponto-a-ponto, ou seja, os pontos de controlo estão numerados no mapa e unidos por uma linha recta na ordem pela qual devem ser visitados.

Quando encontra um ponto de controlo, o orientista utiliza o alicate aí existente para perfurar o cartão de controlo no quadrado correspondente. Isto permite aos organizadores verificar se foram visitados os pontos de controlo correctos.

Por vezes um orientista perfura o quadrado errado do cartão. Se isto acontecer (e se ele perceber a tempo o erro que cometeu), o procedimento correcto será perfurar um dos quadrados de reserva R1, R2 ou R3 (no exemplo em cima correspondem aos quadrados 28, 29 e 30). No entanto, à chegada terá de informar a organização dos números que foram trocados.

Sistema Electrónico – SPORTident

Nas provas oficiais da FPO é utilizado um sistema electrónico (denominado SPORTident), que consiste num pequeno “chip” (SIcard) transportado pelo atleta, que permite registar a sua passagem pelos pontos de controlo que contêm pequenas estações electrónicas de controlo onde o atleta deverá introduzir o SIcard.

Após terminarem a prova os atletas inserem o SIcard numa estação electrónica ligada a um computador que produz imediatamente uma folha com o resultado do atleta (incluindo tempos de passagem nos pontos). Este computador produz automaticamente os resultados por escalão, simplificando bastante o processo de controlo dos atletas e produção de resultados.

Os atletas podem alugar um SIcard nas provas em que participam ou adquirir um, o que compensa para orientistas regulares.

 

Material e Equipamento

Basicamente, para praticar orientação apenas é necessário um mapa.

No entanto, a bússola, tradicionalmente, é o principal auxiliar para ajudar no processo de orientação. São expressamente proibidos quaisquer processos complementares de navegação (por ex. GPS).

Quem pratica orientação com mais regularidade, normalmente utiliza também algumas peças de vestuário (fato, perneiras e calçado especiais) que permitem proteger o corpo das zonas mais acidentadas e da vegetação mais densa.

 

A Bússola

O que é?

Uma bússola é um objecto com uma agulha magnética que é atraída para o pólo magnético terrestre.

O Pólo Magnético

Qual é o fenómeno que faz a agulha da bússola apontar consistentemente na direcção norte-sul?

A resposta está na poderosa e invisível força chamada Magnetismo. A Terra é um íman gigante.

Descobriu-se que pedras contendo óxido de ferro magnetizado, quando colocadas num pedaço de madeira a flutuar num recipiente com água, rodavam e adquiriam sempre uma posição fixa. A bússola tinha sido inventada!

Breve História da Bússola

Não se sabe ao certo quem primeiro teve a ideia de colocar pedras contendo óxido de ferro magnetizado a indicar o Norte. Estudiosos acreditam que os Chineses foram os primeiros a explorar o fenómeno. "Si Nan" é considerada como a primeira bússola. "Si Nan" significa "O Governador do Sul" e é simbolizada por uma concha cuja pega aponta para Sul.

Como a concha era bastante imprecisa, os Chineses começaram a magnetizar agulhas de modo a ganhar mais precisão e estabilidade. De acordo com alguns escritos Chineses, as primeiras bússolas foram utilizadas no mar por volta do ano 850. A invenção foi então espalhada pelo mundo por astrónomos e cartógrafos para ocidente até aos Indianos, Muçulmanos e Europeus.

Inicialmente, as agulhas das bússolas "dançavam" bastante e demoravam muito tempo a estabilizar. As bússolas modernas são instrumentos de precisão e a sua agulha, geralmente encerrada num invólucro cheio de líquido, rapidamente se posiciona na direcção norte-sul.

Declinação Magnética

O norte magnético, para onde a agulha aponta, não se situa exactamente no Pólo Norte definido pelos meridianos. A maioria dos mapas contém meridianos, que são linhas norte-sul. Estas passam pelo Pólo Norte geográfico. Os meridianos são representados por linhas finas geralmente a preto.

A declinação existe porque o pólo norte e o pólo magnético não coincidem. Esta declinação varia consoante o local do mundo. Em certas zonas do Canadá ultrapassa os 40 graus, mas, por exemplo, na Escandinávia ela é desprezável. Os mapas utilizados para a prática da Orientação são impressos com os meridianos corrigidos com a declinação, ou seja, indicam o norte magnético e não o norte geográfico, para permitir a navegação através da bússola.

Em Portugal, a declinação é de cerca de 7º.

Desvio

A agulha da bússola pode ser influenciada por depósitos de minério de ferro, linhas de alta-tensão, vedações e outros objectos de ferro, etc. Todos eles provocam uma leitura errada, como tal é necessário observar se não se está na presença de nenhum desses objectos.

 

Estrutura das Provas de Orientação em Portugal

Em Portugal, a época de orientação começa em Setembro e prolonga-se normalmente até ao início/meados de Julho.

 

Orientação Pedestre

Na Orientação Pedestre, existe um conjunto de provas (na época de 2007/2008 são 10) que constituem a Taça de Portugal, e permitem a elaboração de um Ranking Nacional a partir dos resultados que os atletas obtêm nessas provas. Cada prova destas tem entre 2 e 4 dias, o que resulta num total de 22 percursos para a época 2007/2008.

Existem também Calendários de Provas Regionais que permitem a elaboração de Rankings Regionais: Taça FPO Norte, Taça FPO Sul e Taça FPO Madeira.

Para além destas provas existem também as provas Locais que são provas com menos exigências organizativas, como por exemplo as provas que constituem o OriÉvora (http://orievora.com.sapo.pt/).

Dentro das provas de orientação pedestre, estas dividem-se em distância longa, média e sprint.

Todas as épocas se realizam 4 Campeonatos Nacionais: Distância Longa, Distância Média, Sprint e Estafetas. Estas provas (à excepção das estafetas), estão incluídas nas provas da Taça de Portugal.

 

Orientação em BTT

A Orientação em BTT está em grande crescimento. Em Portugal, existe um conjunto de provas nacionais que constituem a Taça de Portugal, tendo-se iniciando também o calendário de provas regionais na época 2006/2007. A Ori-BTT tem um Campeonato Nacional todas as épocas. A época 2007/2008 é constituída por 9 provas num total de 18 percursos.

 

Corridas Aventura

As Corridas Aventura são uma forma de Orientação composta por diversas etapas dentro de cada prova. As etapas podem ser de Orientação Pedestre, Orientação em BTT, Canoagem, Patins, Actividades com corda, etc, onde a base de cada etapa é a orientação (procura de pontos de controlo).

A Taça de Portugal de Corridas Aventura (Portugal Eco Aventura) é composta, em 2007/2008, por 6 provas. A competição é em equipas de 3 ou 4 elementos divididas pelos escalões Elite Masculina, Elite Mista e Aventura. As provas são de longa duração (entre 16 e 20 horas). No entanto, o seu formato permite a participação de equipas com uma grande diversidade de capacidades físicas.

 

Podem-se consultar todos os calendários de provas da época 2007/2008 no site da FPO.

 

Orientação É…

 

Estás pronto para a próxima prova?...