Entrevista com Tiago Aires

Era uma vez no Alentejo por Tiago Aires...


O desenvolvimento de um novo projecto, encontra-se sempre dependente dos apoios das entidades locais. Qual o balanço acerca dos apoios à Sociedade Recreativa de São Pedro Gafanhoeira?

Temos o apoio da Câmara Municipal de Arraiolos, da Associação deTiago Aires Desenvolvimento do Alentejo Central (Monte), CoopAbril e da Junta de freguesia de São Pedro da Gafanhoeira. Apoio por parte de empresas ou outro tipo de entidades particulares são inexistentes, o que para um clube que está nos 85 federados seria fundamental. Neste momento só metade dos nossos atletas é que têm equipamento e a muitas provas não podemos levar todos os que desejamos por não haver dinheiro suficiente para as inscrições ou simplesmente para pagar ao motorista.

Hoje no final do dia, os pais de um(a) jovem com cerca de 15 anos deslocava-se a tua casa para te questionar acerca das vantagens de o seu descendente praticar Orientação. A resposta seria….

Que a Orientação é um deporto multidisciplinar onde existe muitas vezes uma relação directa entre o desempenho escolar e a performance na modalidade. Trabalha-se a condição física mas os aspectos cognitivos e psicológicos têm vital importância. Os níveis de autonomia e auto-estima são desenvolvidos pelo jovem, quando na Orientação, tem que decidir por onde quer ir e tem que ser ele próprio a assumir a sua escolha e o que isso representa. É uma modalidade onde muitas vezes os jovens excluídos do desporto conseguem vingar e reconhecer-se novamente com a prática regular desportiva, pois aqui grande parte das vitórias são pessoais e ninguém está exposto directamente perante os outros (como acontece por exemplo no atletismo quando um atleta vai em último com o carro vassoura).

Recuando dez anos no tempo, o que mudarias no percurso que realizaste na Orientação?

Gostaria imenso de ter conhecido esta modalidade mais cedo, eu pratiquei de tudo um pouco ao nível desportivo mas nunca ficava muito tempo numa modalidade. E de repente descobri a Orientação, numa prova realizada na Praia da Vieira a 11 de Janeiro de 1997. Espero poder fazer Orientação até ao escalão de H90. Mudaria muito pouca coisa, apenas pratico Orientação há 11 anos e é fantástico pensar que daqui a 60 anos ainda posso praticar este desporto, por isso penso que o mais importante é o olhar para o futuro e não para o passado.
 
Sendo um dos principais responsáveis pela existência do Troféu Ori-Évora, qual o balanço acerca destes quase dois anos de vida deste troféu?

Normalmente sou uma pessoa que não está satisfeita com as coisas, normalmente quero mais Tiago Aires e o Troféu Ori-Évora é mais um exemplo disso. Deixava-me triste que no Alentejo, existindo mapas tão bons como por exemplo o de São Bartolomeu do Outeiro, nunca fossem utilizados, não havendo também quase atletas de Orientação do Alentejo. Felizmente florestas é o que não falta por aqui, faltam mesmo os atletas. Mesmo a ADFA, é constituída na sua grande maioria por atletas de fora do Alentejo. Penso que o Ori-Évora tem conseguido lentamente divulgar a Orientação pelo Alentejo e arranjar novos praticantes e até mesmo clubes como é o caso da Gafanhoeira e do Pavia.

Quais os aspectos que tornam o concelho de Arraiolos uma zona com características ímpares para a prática da Orientação?

O Concelho de Arraiolos tem mais de 100km2 de terreno de altíssima qualidade para a prática da Orientação, faltando obviamente cartografar os mapas. Ou seja os estádios já existem, ainda não têm é electricidade e “balizas”. Mas nem tudo são rosas, já que infelizmente existem também muitas vedações. No entanto, os proprietários têm sido sempre pessoas fantásticas e têm possibilitado organizar e treinar nas suas propriedades.

Além do 1º Troféu do Sabugueiro, decorrerá no fim-de-semana seguinte na mesma zona o Campeonato Nacional de Desporto Escolar e nos dias 14 e 15 de Junho 2008, a prova denominada “Tapete de Arraiolos está na rua”. Como classificas a importância dos dois eventos para o crescimento da modalidade na região?

Este fim-de-semana e o de dia 14 e 15 de Junho 2008 (prova do “Tapete de Arraiolos está na rua”, pontuável para a Taça FPO sul) são de fulcral importância para o futuro deste projecto da Escola de Modalidade da Gafanhoeira. Pois só com este tipo de iniciativas é que podemos mostrar na região o que é a Orientação. Obviamente conseguir ganhar algum dinheiro para continuarmos a desenvolver o nosso projecto, mas fundamentalmente proporcionar às pessoas que nos visitam um dia agradável com mapas bonitos e desafiantes e oferecer o que de melhor temos. Só realizando eventos é que conseguimos justificar o investimento que é necessário para fazer mapas de Orientação. Se tudo correr como está programado, em Julho teremos junto a nossas casas cerca de 10km2 de mapas de Orientação e no final do ano cerca de 15km2 que serão de vital importância para os nossos treinos regulares.

Em termos pessoais e da SRSPGafanhoeira, quais as principais ambições para os próximos anos?

As minhas ambições pessoais são de conseguir dar aos jovens queTiago Aires queiram praticar Orientação as condições necessárias para praticar este desporto, seja por lazer seja por competição. Trabalho diariamente no sentido de que os que querem treinar e evoluir, tenham as possibilidades e o acompanhamento que eu nunca tive, esse tem sido sempre o meu objectivo. Não é por acaso que sempre organizei treinos nos clubes onde estive, que organizo os estágios Ori-Jovem, etc…

Como clube queremos dar a conhecer a modalidade na região, desenvolvendo e organizando eventos, formações e treinos. Temos como objectivo ter um mapa em cada uma das sete freguesias do concelho de Arraiolos e ter percursos permanentes nos nossos mapas. Ambicionamos ter um grande grupo de atletas nos escalões de formação com planeamento/acompanhamento diário., tentando ser uma referência de formação desportiva a nível nacional e onde se consigam criar grandes valores que nos próximos anos representem regularmente as nossas selecções nacionais.

SRSPGafanhoeira numa frase…

É o que procurava há já algum tempo: clube com identidade regional, atletas que treinam e vivem em comunidade.

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